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PROMOTOR CONDENA NOMEAÇÃO DE PARENTES DE MAGISTRADOS NO GOVERNO

O promotor de Justiça de Jacaraú, Marinho Mendes, concedeu na noite desta quinta-feira, 29, uma entrevista polêmica no programa Bastidores, apresentado pelo Padre Albeni Galdino. Ele recriminou asnomeações de parentes de magistrados no Governo da Paraíba e disse que o fato é uma forma de ingerência do poder executivo no judiciário. Sem papas na língua, o promotor declarou:

 

– Os jornais falam disso. Eu não conheço nenhum, mas se existirem parentes de magistrados empregados no poder executivo é uma forma de ingerência e isso é eticamente incorreto. Eu não aceito. Quem aceita um filho nomeado por um governador ou por um prefeito é alguém que não tem compromisso com sua instituição e a mata. Um homem assim tem que ser punido, ser redisciplinado. Eu sou profundamente contra. O sociólogo Marcel Mauss escreveu um tratado sobre a dádiva. Quem recebe uma dádiva, está comprometido. Ninguém te dá nada de graça. Ele quer retribuição. Isso tira a independência. Quem dá um emprego para meu filho, eu vou ver um processo dele com os mesmos olhos de quem eu nunca vi na minha frente? Um desembargador desses teria que ser afastado, reorientado e depois poderia voltar.

 

Marinho Mendes ainda comentou a situação da Segurança Pública no Estado da Paraíba e disse que não aceitaria caso fosse convidado a assumir a Pasta:

 

– Seria preciso trabalhar muito para refazer 500 anos de segurança pública que não tem projetos – disse o promotor, citando um caso pitoresco de seu município – O Governo comprou uma viatura bonita, mas a Ranger é movida a gasolina. Temos dois policiais lá que levam a viatura para Mamanguape para abastecer e são 36 quilômetros. Depois, voltam para Jacaraú e andam mais 36 quilômetros. Já chega seco. A cota é de 20 litros por dia. Hoje segurança pública tem que ser com planejamento, com projetos, com estudos, tem que chamar os cientistas políticos da UFPB. Estive em um debate com o secretário de Segurança de Pernambuco. Ele é um sociólogo. Me desculpe o pessoal do Direito, mas Direito só não basta.

 

Ainda tratando de ingerência e recebimento de favores, Marinho Mendes disse que desenvolve projetos em Jacaraú e chega a distribuir brindes aos moradores que colaborarem com as iniciativas. Os brindes são custeados pelo próprio promotor, que não aceita doações de comerciantes:

 

– A gente perde independência. É para o cara não dizer depois que eu o denunciei, mas que recebi alguma coisa antes. Para não correr esse risco, a gente não aceita. Como não aceito honrarias. Eu mando um ofício, muito elegante, mas não aceito. E vejo gente com 300 títulos de cidadão e me pergunto o que esse cidadão fez. É preciso ter consciência e não andar atrás de títulos. Em Araçagi, me deram um título. Eu não quis. No mesmo dia, deram um título a um policial que foi expulso. A vaidade é a chave para a corrupção!

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