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O Judiciário Federal, numa demonstração de que está sintonizado com a realidade do trabalho dos Oficiais de Justiça, confirmou liminar concedida garantindo direito a um Oficial de Justiça de portar arma de fogo. Em sentido completamente diverso, adotando uma política em completa contradição com o exercício da função do Oficial de Justiça está a UNIÃO, que recorreu da liminar concedida, exigindo o pronunciamento do TRF1. Afirmo isso em virtude de que, ainda que fosse o Brasil o país utópico e pacífico onde Leis como o Estatuto do Desarmamento, ECA e outras funcionariam ou pelo menos teriam algum sentido real, prático e positivo, ainda assim não deveria o Oficial de Justiça ser privado do direito de portar arma de fogo, visto ser direito inerente e consequência dos risco envolvidos no desempenho das funções a ele atribuídas. No entanto, a realidade das ruas com a qual convivemos é bem diferente desse país de faz-de-conta que parece inspirar nossos legisladores. Estamos expostos a toda sorte de violência como bem afirmou a decisão do TRF1, mas isso não parece ser suficiente para que a UNIÃO reconheça o erro que cometeu em tentar tirar do cidadão o seu direito de defesa, a partir de uma lei anti-democrática que não reflete o desejo da maioria dos cidadãos brasileiros, e ainda, incluindo no bojo, os Oficiais de Justiça, numa demonstração ainda maior de falta de conhecimento da realidade brasileira.
Clévenis  Maranhão Sarmento
Dir. Mobilização e Imprensa – SINDOJUS-PB
Confiram abaixo a matéria publicada no site InfoJus Brasil.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) confirmou a liminar concedida em favor do Oficial de Justiça Marcus Vinicius Ataíde de Souza, do TJDFT, que teve garantido o direito de portar arma de fogo para defesa pessoal, independentemente de estar trabalhando.
Ao conceder a liminar, no mês de abril, a juíza da 16ª Vara Federal concordou que o oficial cumpria as exigências para portar a arma. Segundo a magistrada, mesmo sem previsão legal para concessão de arma de fogo para este tipo de agente, é “notório que o Oficial de Justiça lida diariamente com diversos tipos de situações e cumpre determinações judiciais que podem desencadear reações violentas”.
A União recorreu TRF1 através de agravo de instrumento, mas o relator do caso entendeu que liminar foi concedida tendo em vista a natureza das atividades, eminentemente de risco, exercidas por servidor publico que executa ordens judiciais.
O relator ressaltou que a Lei n. 10.826/2003 estabeleceu requisitos para que o indivíduo possa portar arma de fogo, dentre eles, demonstrar efetiva necessidade da arma, decorrente do exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça a integridade física.
O TRF1 também confirmou que a função de oficial de Justiça está enquadrada como atividade de risco, já que estes servidores lidam diariamente com os mais diversos tipos de situações e cumpre determinações judiciais que podem desencadear reações violentas.
O advogado Marcos Joel dos Santos, especialista em Direito do Servidor Público, sócio do escritório Cassel & Ruzzarin Advogados, explicou que o oficial de Justiça chegou a solicitar autorização para o porte de arma junto ao Departamento de Polícia Federal em Brasília, de forma administrativa, mas a solicitação foi negada.
“Como o pedido foi negado,  a opção foi entrar com um Mandado de Segurança na Justiça, cujo a liminar agora é confirmada pelo TRF da 1ª Região”, salientou.
Porte de Arma para Oficiais de Justiça
Segundo os representantes dos oficiais de Justiça, a categoria está sujeita a risco no cumprimento de qualquer ordem judicial, desde uma simples intimação até a condução coercitiva de testemunhas e presos, porque a gravidade de um processo judicial depende muito do aspecto subjetivo do processado. O que é pouco para um, pode ser fonte de descontrole para outro, desembocando a primeira reação nos oficiais de justiça. Os oficiais também enfrentam risco, por exemplo, no cumprimento da Lei Maria da Penha (lei 11.340/ 2006), quando precisam afastar do lar pessoas bêbadas, drogadas ou com perfil agressivo.
Ref. Agravo de Instrumento 0025657-56.2012.4.01.0000 / TRF1
Com informações do TRF1 e do site do escritório Cassel & Ruzzarin Advogados.